I WOKE UP AS A BLANK PAGE | ACORDEI PÁGINA EM BRANCO

I saw all these works around and the river inside. Always filling so many papers. Emptying me. There is water outside as well, you know? Waiting for me to jump. Many eyes looking for the ocean without knowing it. They have just this image of a mysterious immensity where you can be anything. Fish to mermaid. Do we really want to find the ocean or just admire it from distance? Waking by the shore is so nice. When I was a kind I would confront the ocean like I was born in it. It’s good to turn into a blank page again. Be surprised by other stories. To trust they will tell more than I’m capable to write. They’re this ocean I never jumped into. An image that fascinates me but petrifies me as well. Will I be ocean for the others? I will be a blank page.

Olhei todas essas palavras ao redor e o rio dentro. Sempre preenchendo tantos papéis. Esvaziando-me. Há água fora também, por mergulhar. Tantos olhares que buscam o mar sem conhecê-lo. Somente essa imagem de imensidão misteriosa em que tudo se pode ser. De peixe à sereia. Queremos mesmo encontrar o mar ou apreciá-lo de longe? Caminhar na beiradinha é tão bom. Quando criança enfrentava o mar como se tivesse nascido dele. É bom voltar a ser página em branco. Surpreender-me por outras histórias. Confiar que elas dizem mais do que sou capaz de escrever. São esse mar que nunca entrei. Imagem que me fascina e me petrifica ao mesmo tempo. Serei eu mar para os outros? Serei página em branco.

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